Residência Giacon no Jardim Europa em Paulínia - 2006

FachadaA tesoura de madeira em destaque na elevação frontal da casa.

Este imóvel foi o segundo projetado para o mesmo casal, que já havia construído a primeira casa no mesmo bairro. Com a venda desta, eles se mudaram para uma residência de aluguel e solicitaram o novo projeto com urgência de entrega, para agilizar o início das obras.

Felizmente, naquelas semanas, um projeto elaborado para divulgação de um loteamento fechado - a Residência Modelo II - guardava impressionantes coincidências, desde as condições topográficas do terreno, passando pelas suas dimensões, até chegar no programa básico para um família de três pessoas. Apenas para se adequar em relação à orientação solar, foi preciso proceder com o "espelhamento" da configuração.

A partir da referência claramente especificada, pois o casal a reconheceu no posto de vendas imobiliárias, foi possível desenvolver um proposta para construção de cerca de 152 metros quadrados num terreno de 300, com abrigo para dois carros, salas de estar e jantar (copa), dois dormitórios simples servidos por um banheiro, e uma suíte, além da cozinha coligada à área de lazer e lavanderia, uma vez que a edícula foi convertida num braço de extensão do corpo principal.

A solução foi prontamente aceita, pois eliminou o desperdício de áreas de circulação, convertendo o corredor dos quartos num hall de fácil acesso pela copa. Aliás a copa, por ser um local de reunião da família para as refeições, se comporta neste caso como o centro de articulação das atividades domésticas, pois ela atua como transição para os demais setores: o social e o de serviços.

Os 148 metros quadrados de área livre - ou seja, quase 50% - se dividem entre recuo frontal obrigatório, corredores laterais para favorecer a ventilação, o jardim de inverno junto ao dormitório que é reversível em escritório ou sala de TV, e um considerável quintal que banha de luz a suíte do casal e o dormitório maior.

Clique nas imagens para ampliar:

Planta baixaA copa como coração da casa: acesso para os setores social, íntimo e de serviços.

CorteNeste corte, a varanda na porção esquerda do desenho é oposta à lavanderia, nos fundos.

Croquis da fachadaO primeiro esboço apresentado após a encomenda: aceitação imediata.

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O Fusquinha Azul

Olá pessoal!

Muita gente imagina que nasci dirigindo um MP Lafer vermelho, mas nos primórdios eu andava de Fusca mesmo. Resolvi resgatar um pouco daquela época e divido com vocês um episódio marcante, dos meus tempos de faculdade.

Grande abraço,
Jean Tosetto

Fusca no gramadoO besouro no jardim: coadjuvante na foto, estrela nas boas lembranças.

Em nenhum lugar do mundo é agradável tomar três conduções para ir ao trabalho ou estudar, mesmo aos 18 anos de idade - com todo o vigor e desprendimento que isso representa. Quem divide seu dia entre compromissos, transporte coletivo e dormir, sabe muito bem disso.

Portanto, quando meu pai disse que poderia usar o Fusquinha para ir à faculdade, foi um alívio. Aqueles pouco mais de vinte quilômetros de estrada se transformaram em cenário de momentos de curtição, regados com fitas cassete de rock. Tudo bem que não era o carro dos sonhos, mas longe de reclamar: aquele Fusca azul calcinha 1972 gerou muitas histórias.

Uma delas começou quando fui abordado por um produtor de cinema. A equipe dele estava em minha cidade, usando a mata ciliar de uma represa para fazer tomadas externas que simulavam a floresta tropical da Amazônia. Minha descrição se encaixava no perfil que eles estavam procurando: rapaz alto, magro, de olhos claros. Pensei que fosse piada, até me passarem o endereço do escritório deles na praça central.

Marcaram um horário para eu me apresentar, fazer um teste e assinar um termo de compromisso, doando os direitos de som e imagem para o filme "Mário", do diretor Hermano Penna - que as vezes passa de madrugada na TV Cultura. O problema é que meu curso era integral e teria que me ausentar da disciplina mais complicada do semestre, cujo professor era o carrasco do Campus.

Mas esta foi a parte mais fácil: careta que sempre fui, avisei o mestre pessoalmente que não assistiria sua aula. Depois de ouvir o motivo, ele sorriu e ainda me deu um tapinha nas costas, desejando boa sorte - quem presenciou a cena não acreditou. Então fui todo contente pegar o carro no estacionamento.

Girando a chave de contato já ia planejando minha mirabolante entrada no meio artístico, saindo mais cedo da faculdade para não chegar atrasado. Entrei na rodovia que margeia um bairro pobre da região, seguindo direto para o encontro com a glória, de motor cheio em quarta marcha.

De repente o assobio dos quatro cilindros virou reclamação. Parecia que o carro estava soluçando e perdendo o rendimento. Joguei uma terceira para compensar, mas então o Fusquinha começou a chorar. Vem a segunda marcha e com ela o carro já grita... até morrer. Feito um piloto sem sorte, vou parando meu bólido no acostamento, vendo a corrida acabar.

A meteórica carreira cinematográfica se encerrava ali, antes mesmo de queimar o primeiro metro de negativo. Abri a tampa do motor ainda moleque inexperiente, mas já sabendo que tinha que olhar o cabo da bobina: em ordem. Mão coçando a cabeça, sem celular. O jeito era abandonar o carro por hora e pedir carona.

Ao me levantar vejo outro Fusquinha se aproximando, mas em farrapos. Tive um mau presságio. O carro, metade lata metade ferrugem, parou. Ver o motorista descer só aumentou minha preocupação: de chinelos, bermuda desfiada, camiseta cavada e cabelos despenteados. O cara ia me assaltar, só podia!

- Acabou a gasolina amigo?

Queria sumir. Tinha feito péssimo juízo de alguém que não conhecia, o cara veio apenas para ajudar. Ainda por cima ele acertou na mosca. O tanque estava mais seco do que uma pedra lunar. Ele me deu quase um litro de combustível, além de despejar um pouco no carburador para o carro pegar. Completando o serviço, me orientou a chegar no posto mais próximo, para fazer um "splash and go". Dizer obrigado foi muito pouco, pois ele se recusou a receber o dinheiro da gasosa.

Naquele dia aprendi uma lição.

Consegui chegar a tempo de conversar com o pessoal da filmagem. Depois de acertar o cachê - com o qual deu para comprar um CD duplo dos Rolling Stones - perguntei qual seria o meu papel. O balde de água fria atendia pelo nome de "figuração". Tudo bem, tudo era festa. Fui de Fusca azul calcinha no set da produção e isto rendeu novos episódios, assunto para outras ocasiões...

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Jean Tosetto Arquiteto © 1999-2011. Todos os direitos reservados.