Residência Bueno no Residencial Raízes em Paulínia - 2007/2008

Linhas horizontais identificadas por pastilhas cerâmicas nas paredes, salientam a ocorrências de vergas de concreto e harmonizam a relação entre altura e largura da fachada.

Este projeto foi encomendado no final de 2007, mas a aprovação do mesmo só foi possível em meados de 2008, quando o loteamento fechado em questão foi liberado para construção, pela prefeitura da cidade. As obras atravessaram o ano de 2009 e foram encerradas no começo de 2010, sendo executadas com recursos próprios. Se o período de construção foi ligeiramente alongado, o lado positivo é que não sobraram compromissos financeiros ao término dos serviços.

Dividida em dois corpos - o principal com aproximadamente 190m² e a edícula com 40m² - esta residência conta com o programa ideal para um terreno de 300m², a considerar o abrigo para dois carros, salas de estar e jantar, cozinha e um dormitório de hóspedes com banho social completando o pavimento térreo. A lavanderia foi deslocada para a construção em anexo, junto da churrasqueira, sala de ginástica, depósito e banheiro externo. O pavimento superior conta com uma suíte completa, com closet e banheira, ladeada por uma biblioteca em oposição à dois dormitórios simples servidos por um sanitário em comum.

Na perspectiva à grafite do projeto, o ponto de vista é mais recuado para permitir a compreensão da cobertura. Linhas simples para volumes expressivos.

Longe de ser a edificação mais chamativa de seu bairro - sem colunas que atravessam dois pavimentos para sustentar um beiral de pouca largura, sem grandes panos de vidro que iluminam pequenos cômodos, e principalmente sem aqueles telhados requebrados aleatoriamente - esta casa reverbera o comportamento sóbrio e distinto de seus moradores e demonstra que um projeto de arquitetura não precisa ser necessariamente uma colagem pós-moderna de referências diversas, que misturam o neoclássico ao futurismo.

A elevação posterior, com a edícula à frente, reflete o mesmo padrão arquitetônico identificado por quem transita pela via interna do loteamento.

Dica do arquiteto: aquecedores de água com fonte de energia solar, pressupõem que o reservatório principal de água fria esteja em posição elevada, para permitir a instalação das placas de aquecimento que serão alimentadas por gravidade, conduzindo a água quente para o boiler, na seqüência.

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Mairiporã - 2010

Os raios solares transpassam  as copas das árvores para banhar o quintal do restaurante.

Mairiporã é uma pequena cidade encravada na Serra da Cantareira, entre o município de Atibaia e o bairro de Santana, da grande metrópole de São Paulo. Pequenas estradas serpenteiam a topografia acidentada da região, ligando a zona norte paulistana com a outrora pacata cidade - repleta de chácaras, sítios e loteamentos fechados - funcionando como rotas paralelas à Rodovia Fernão Dias, que rasga o chão dos bandeirantes em direção ao sul das Minas Gerais.

Numa das curvas destes caminhos nos deparamos com uma espécie de complexo de lojas de artesanato, bares e restaurantes, num ambiente que lembra uma vila de fins do século XIX. Também pudera, o local, conhecido como "O Velhão", vem sendo construído desde 1978 com materiais de demolição: tijolos que lembram adobes, madeiras centenárias, estruturas metálicas descartadas como ferro-velho. A primeira atividade no local se relacionava com carpintaria e marcenaria, partindo para restaurações de componentes em madeira e ferro e chegando aos dias atuais com uma gama de produtos e serviços ligados à arte e entretenimento.

No restaurante principal, a comida é caipira, servida em tachões de cobre, mantidos aquecidos em grandes fogões à lenha. A fartura é constante e as pessoas servem-se sem cerimônia, ao som de música ao vivo. Nos vários ambientes, separados apenas por diferenças de cotas de nível ou paredes com elementos vazados, as famílias se acomodam em mesas que também são feitas com materiais reutilizados de outras obras e épocas. Almoçar num local como este certamente é uma experiência de estranhamento num primeiro instante, mas de prazer assim que os primeiros brindes entre os amigos estalam nos ouvidos.

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Jean Tosetto Arquiteto © 1999-2013. Todos os direitos reservados.