Residência Rios no Residencial Yucatan em Paulínia - 2009

Nesta fachada, o abrigo para automóveis não possui laje, justificando a diferença de altura dos panos do telhado. O contraste das cores no revestimento salienta a variação da volumetria da composição.

Aposentar-se de uma longa carreira não significa que os desafios de uma vida estão encerrados. Para certas pessoas, é justamente nesta época de suas trajetórias que um horizonte de possibilidades se abre. Construir uma casa, mesmo sem qualquer experiência anterior no assunto, é uma tarefa que ajuda a manter a mente ativa e concentrada num objetivo. De certo modo, foi o que ocorreu neste projeto.

A casa antiga e reformada já não atendia mais aos anseios de outrora. Era preciso renovar, mas com os pés do bom senso apoiados no chão. O programa adotado demonstra isso: garagem para dois carros, salas de estar e jantar conjugada à cozinha, que por sua vez seria contígua à lavanderia, um banheiro social, uma suíte e dois dormitórios simples. Para completar, uma churrasqueira com sanitário externo e um depósito.

O terreno, com dimensões usuais de 10 metros de largura por 30 de comprimento indicava a realização de um projeto convencional. O desafio era ordenar tudo de modo a garantir a satisfação dos futuros moradores. Algo como caprichar no tempero de uma receita tradicional.

Entre idas e vindas à obra e diversas lojas de materiais de construção, além de alguns telefonemas para esclarecer dúvidas com este arquiteto, nosso amigo deixou a casa pronta na véspera de seu casamento! É a vida se renovando e provando que é sempre possível recomeçar.

A vista em diagonal permite compreender a composição da cobertura, que inclui uma torre para a caixa de água e empenas retangulares na área de luz. Nos fundos, a edícula foi recuada da divisa em 1,5 metro, em função da altura limitada da cumeeira por parte das regras do loteamento.

A janela do tipo "bay", também conhecida como "bay window", favorece a captação de luz natural para a sala de estar, além de oferecer pontos de vistas diferenciados para quem está próximo dela. Uma pequena laje de concreto maciço, engastada na percinta da parede, sustenta o fecho superior.

Visão da área de luz a partir da sala de jantar. A porta envidraçada de correr oferece fácil acesso para o jardim de inverno, ideal para um café na companhia de um bom livro. No projeto das instalações hidráulicas, a drenagem de água de chuva foi prevista com uma tubulação adequada.

Detalhe da elevação posterior da casa térrea, perceptível para quem está na área de lazer. Prevensão e conscientização: devido a uma lei municipal, 10% da área do terreno foi reservada para permitir a permeabilidade do solo - vide canteiro gramado à direita na imagem.

Dica do arquiteto: para evitar a ocorrência de fissuras devido a dilatação térmica dos muros de divisa, os mesmos devem ser interrompidos junto às paredes do imóvel, mediante colunas independentes. No encontro das superfícies, uma camada de massa elástica é bem vinda, antes da pintura final.

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São Sebastião do Paraíso - 2010/2011

 
Festa da Congada e Moçambique realizada em dezembro de 2010. 

Todos os anos, há mais de um século e meio, a cidade de São Sebastião do Paraíso, no sudoeste de Minas Gerais, promove a festa folclórica da Congada e Moçambique, que são danças organizadas em ternos, com origem no tempo da escravatura, de notável sincretismo religioso. A Praça da Matriz é tomada por uma mistura de cores entrelaçadas de fitas penduradas em chapéus, além da profusão de sons de instrumentos musicais como sanfonas, pandeiros, chocalhos e tambores. Os versos são cantados na base do improviso, diante da população e de uma comissão de jurados.

Corredor do Hotel Cosini.
São cinco dias de apresentações, sempre entre 26 e 30 de dezembro. Cerca de 16 ternos - uma espécie de bloco de carnaval - desfilam pela rua principal numa contagiante evolução rítmica e chorosa. O cheiro da pipoca com bacon atiça o paladar sempre que o ambulante passa. Aliás esse é o "problema" das Minas Gerais: seus sabores e temperos são um convite para perder a forma física. O feijão com arroz é mais gostoso nas alterosas, o queijo é genuíno e o sorvete da lojinha parece caseiro, pois sente-se o leite de vaca usado na receita. Tudo muito simples. Tudo muito autêntico.

Nem só de Congada vive a cidade de São Sebastião do Paraíso: a melhor manteiga do Brasil, ainda vendida em latinhas, é feita lá por uma empresa denominada Aviação. A poucos quilômetros do centro existe uma simpática estância balneária conhecida como Termópolis, que fica no bairro rural das Águas Quentes - uma ótima dica para passar o primeiro dia do ano, esvaziando a mente e recuperando o entusiasmo para seguir em frente. Uma boa pedida para hospedagem é o Hotel Cosini, de arquitetura confortável e aconchegante - peça um quarto de esquina, na fachada.

Termópolis: ar puro em paisagem verdejante. Foto de Renata Tosetto.

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Jean Tosetto Arquiteto © 1999-2013. Todos os direitos reservados.