Residência Guatura-Belan no Reserva Real em Paulínia – 2016~2017

A geometria a serviço da simplicidade atemporal na fachada deste sobrado no Reserva Real em Paulínia.
A geometria a serviço da simplicidade atemporal na fachada deste sobrado no Reserva Real em Paulínia.

Após anos seguidos de recessão econômica, o Brasil entrou num novo ciclo de lenta recuperação da construção civil, no qual a racionalidade para planejar e construir uma residência se impõe mais intensamente sobre o mero arrojo estético de uma obra.

Excluindo os municípios da Grande São Paulo, Campinas é a maior cidade do interior paulista, ultrapassando um milhão de habitantes. Sua gama de serviços faz dela o centro de uma região metropolitana que supera, em atrativos, diversas capitais brasileiras.

Porém, morar perto de Campinas é melhor do que morar na própria cidade para muita gente, especialmente em função de um problema recorrente ligado aos aumentos do IPTU – Imposto Territorial Urbano – que historicamente sempre foi elevado em relação aos municípios do entorno.

Muitas pessoas que trabalham em Campinas têm procurado cidades menores nas imediações para morar, de preferência que não tenha pedágio no caminho. Paulínia, com uma população dez vezes menor que a de Campinas, é uma delas.

Por abrigar indústrias de grande porte, como a Refinaria do Planalto da Petrobrás e a fábrica de produtos químicos da Solvay-Rhodia, Paulínia depende menos da arrecadação do IPTU como acontece em outras cidades, além de oferecer serviços públicos de saúde e educação que atraem as famílias nos arredores.

A perspectiva do primeiro estudo, feita a mão livre, respeita o levantamento de dados do lote, com a presença de uma árvore na calçada e um poste de iluminação próximo à divisa da lateral esquerda do lote.
A perspectiva do primeiro estudo, feita a mão livre, respeita o levantamento de dados do lote, com a presença de uma árvore na calçada e um poste de iluminação próximo à divisa da lateral esquerda do lote.

Loteamentos fechados: uma tendência

Dentre os lugares de Paulínia mais procurados por famílias onde o casal trabalha em Campinas estão os loteamentos fechados – popularmente conhecidos como condomínios – próximos da Estrada da Rhodia, que liga a empresa ao distrito de Barão Geraldo em Campinas; ou da Rodovia Zeferino Vaz, na região do Parque Brasil 500, que engloba o Okinawa, o Terras do Cancioneiro e o Reserva Real – nome comercial do Residencial Real Park Paulínia.

O Reserva Real tem características particulares, como a extensa área de lazer separada da gleba residencial, ainda não habilitada para plano uso. Este loteamento fechado tem duas portarias: o acesso social para moradores e visitantes fica no fim de uma via lindeira ao loteamento Okinawa, com início na Concessionária Carlos Cunha da Chevrolet, sendo um meio prático para ingressar na Rodovia Zeferino Vaz, a poucos minutos da Rodovia Dom Pedro em Campinas.

Já o acesso para prestadores de serviços fica na outra extremidade do empreendimento, mas acaba sendo usado também pelos moradores que desejam se dirigir ao centro de Paulínia, por uma via secundária que conduz diretamente ao Portal Medieval, na cabeceira da Avenida José Paulino, a principal da cidade.

O regulamento

O Reserva Real de Paulínia possui diversos lotes com 300 metros quadrados, com dimensões de 10 metros de largura por 30 metros de comprimento. Trata-se de uma largura relativamente estreita, que praticamente impede que as residências tenham dois corredores laterais livres.

Para evitar a ocorrência de duas ou mais residências contíguas, feito casas geminadas, o regulamento interno do empreendimento determina que apenas uma divisa lateral possa ser ocupada, sendo que na divisa oposta apenas a garagem para os automóveis pode se apoiar no muro de divisa. No caso, os afastamentos laterais devem ser orientados para o norte ou sol nascente, de modo a estabelecer intervalos regulares entre as construções.

O passeio público – ou calçada – também é ordenado de modo a gerar duas faixas gramadas com 60 centímetros de largura junto à guia e 90 centímetros de largura junto à testada de cada lote, com uma faixa central pavimentada com 150 centímetros de largura, em gomos de concreto vassourado, com juntas de dilatação a cada metro. Esse padrão é inspirado nos loteamentos modernos dos Estados Unidos, com a diferença de que lá toda a fiação elétrica é enterrada.

Detalhe da planta baixa do pavimento térreo do projeto, que engloba a implantação no lote e o detalhamento do passeio público conforme as normas internas do loteamento fechado.
Detalhe da planta baixa do pavimento térreo do projeto, que engloba a implantação no lote e o detalhamento do passeio público conforme as normas internas do loteamento fechado.

Topografia suave

Outra característica do loteamento fechado Reserva Real é que grande parte de seus lotes são quase planos. Isso não impede que a movimentação de terra seja diminuta, pois é preciso garantir a declividade mínima para escoamento do esgoto sanitário e das águas pluviais. Para o esgoto a declividade mínima recomendada é de 3%. Já para as águas pluviais – águas da chuva – devemos adotar ao menos 1% de inclinação nos ramais que conduzem as águas à guia pública.

Levando em conta que a rede de coleta de esgotos é enterrada, precisamos garantir ao menos a tiragem eficiente das águas pluviais. Portanto, num terreno que é quase uma mesa, como no caso deste projeto, a cota de nível dos fundos deve ser pelo menos 30 centímetros mais elevada em relação à cota média na testada do lote.

Por margem de segurança, adotamos a medida de 40 centímetros na cota base do pavimento térreo para garantir, também, o correto funcionamento da coleta de águas até uma cisterna para posterior rega de jardim e lavagem de quintal.

Aqui, a cava para a piscina ajudou a diminuir os custos com a importação de terra para o nivelamento do alicerce do pavimento térreo.

A reprodução, sem escala, do levantamento topográfico do lote, indica que o terreno é quase plano, trazendo informações práticas para a definição das cotas de nível do projeto arquitetônico.
A reprodução, sem escala, do levantamento topográfico do lote, indica que o terreno é quase plano, trazendo informações práticas para a definição das cotas de nível do projeto arquitetônico.

A grande meta

Quando o casal de contratantes nos procurou para desenvolver o projeto para um sobrado, eles comunicaram que não tinham o capital integral para realizar o investimento, pois dependiam da venda de um apartamento justamente em Campinas.

Concordamos que esta era uma sábia decisão, pois a encomenda do projeto sinaliza que um grande objetivo, o de construir uma casa, está definido. Aqui entrou em voga um dos princípios da Lei do Triunfo proposta por Napoleon Hill: quando há um objetivo principal definido, as pessoas envolvidas com ele tomam providências que, direta ou indiretamente, conduzem à realização do intento.

Por coincidência, ou não, assim que o projeto foi concluído e aprovado na Prefeitura Municipal de Paulínia, o apartamento do casal foi vendido num período onde a economia do Brasil atravessava uma profunda recessão.

O projeto

Ciente de que nunca construímos uma casa apenas para nós mesmos, mas para eventuais compradores no futuro, o jovem casal nos encomendou um projeto para um sobrado que pudesse atender a uma família de até cinco pessoas, levando em conta que a filha deles estava morando em outra cidade, em função de um curso universitário.

Desenvolvemos o pavimento térreo com garagem coberta para dois carros e espaço para mais dois no recuo frontal. Perto do vestíbulo da porta social, reservamos espaço generoso para um ambiente reversível, que pode ser um escritório, sala de som e televisão, ou ainda um dormitório.

A garagem também dá acesso fácil para um depósito no corredor externo, ao lado da lavanderia coligada à cozinha, que por sua vez se integra com a varanda gourmet aos fundos, sendo separada da sala de jantar por uma porta de correr. Na sala de jantar fica o lavabo numa posição de fácil uso para quem está na varanda com a churrasqueira, de frente para a piscina.

A sala de estar é uma extensão da sala de jantar, com pé-direito duplo adornado pela escada que abriga uma futura adega sob seu descanso, cujo rebaixo no piso permite seu uso pleno, mesmo por pessoas de maior estatura.

A escada desta residência tem perfil aparente em relação à sala de estar, cujos patamares se apoiam em vigas centrais de concreto armado. O rebaixo do piso foi previsto para a instalação futura de uma adega de madeira,onde já consta uma bancada com pia de cuba saliente.
A escada desta residência tem perfil aparente em relação à sala de estar, cujos patamares se apoiam em vigas centrais de concreto armado. O rebaixo do piso foi previsto para a instalação futura de uma adega de madeira,onde já consta uma bancada com pia de cuba saliente.

No pavimento superior, o mezanino que conduz às suítes tem visão parcial do conjunto das salas no pavimento térreo. Na frente da casa ficam as suítes simples, todas com portas de correr para um terraço descoberto. Os sanitários delas tem a dimensão mínima de 1,35 m por 2,40 m, garantindo o conforto para as três peças essenciais: cuba em gabinete, bacia centralizada e chuveiro em boxe isolado.

Já a suíte do casal, nos fundos, é completa: possui um grande closet com superfície equivalente para alinhar doze portas de armário. O banheiro do casal comporta banheira de hidromassagem dupla, duas cubas sobre gabinetes e dois chuveiros, além da bacia sanitária com ducha higiênica.

O terraço que serve esta suíte fica debruçado sobre a varanda gourmet, com visão privilegiada da piscina, que por sua vez é separada do restante do quintal por um cercado de 90 centímetros de altura, em função de um cão de estimação que é o xodó da família.

No total, o projeto resultou numa área construída de aproximadamente 242 metros quadrados, dos quais 89 apenas no pavimento superior. A piscina, a garagem e a varanda somaram quase 72 metros quadrados, propiciando uma área livre de quase 50% da área do terreno, onde mais de 10% do mesmo foi preservado como área permeável.

A construção

Além de desenvolver o projeto completo, junto com nossos parceiros como o topógrafo José Roberto de Souza e o engenheiro eletricista Sylvio Zanetti, nós fizemos o acompanhamento da obra através de visitas regulares que cobriram as principais etapas da construção.

Dentre elas destacamos a visita para conferência do gabarito com a demarcação das estacas do alicerce, a conferência prévia das ferragens das vigas baldrames que completam as fundações da obra, a impermeabilização do alicerce devidamente nivelado, o respaldo das portas e janelas das paredes, a preparação das lajes através de painéis pré-moldados, a montagem da estrutura da cobertura – que no caso usou telhas metálicas num sistema embutido; e finalmente as visitas nas fases de acabamento, antes do pedido de “Habite-se” junto às autoridades locais.

O acompanhamento da obra é importante para a verificação de diversos itens especificados nos projetos de arquitetura, estrutura de concreto armado, instalações hidráulicas e elétricas. Em nossos relatórios de visitas, reportamos eventuais necessidades de correções em alguns aspectos, além das orientações gerais para a compreensão do processo construtivo por parte dos contratantes, geralmente leigos no assunto.

Nesta seção longitudinal, também denominada como "corte" no projeto, o destaque em azul claro se refere ao local da torre no telhado reservado para instalação da central de ar condicional. Já as áreas em bege identificam os muros de fechamento lateral, com dois metros de altura no pavimento térreo e 1,6 metro de altura no pavimento superior, sempre em conformidade com o regulamento local.
Nesta seção longitudinal, também denominada como "corte" no projeto, o destaque em azul claro se refere ao local da torre no telhado reservado para instalação da central de ar condicional. Já as áreas em bege identificam os muros de fechamento lateral, com dois metros de altura no pavimento térreo e 1,6 metro de altura no pavimento superior, sempre em conformidade com o regulamento local.

O porto seguro

Entre os primeiros estudos preliminares para o projeto, nos primeiros dias de 2016, e a entrega da construção em setembro de 2017, foram 21 meses de planejamento e execução da obra. É um prazo longo se comparado à busca por um imóvel já concluído, quando as pessoas desejam comprar a casa ao invés de construir.

No entanto, a considerar o tempo de uso do imóvel, estes quase dois anos de espera valem o investimento, dado a economia gerada pela administração dos recursos que evitam o ágio inerente a qualquer transação imobiliária.

A despeito da aquisição ou construção da casa própria ser um investimento de grande porte para a maioria das famílias brasileiras, é válido considerar que este tipo de imóvel não representa apenas uma tranquilidade financeira para quem usufrui do mesmo, senão também uma fonte de equilíbrio emocional que facilita o planejamento dos próximos passos na história de uma família.

A sacada frontal se converte numa terraço alargado com visão privilegiada da rua fartamente arborizada: lugar ideal para repouso sobre a sombra dos beirais da cobertura.
A sacada frontal se converte numa terraço alargado com visão privilegiada da rua fartamente arborizada: lugar ideal para repouso sobre a sombra dos beirais da cobertura.

O papel do arquiteto

Um bom o arquiteto não se limita a interpretar os desejos daqueles que o contratam com a expectativa de realizar um projeto único. Este profissional deve ir além, colocando sua experiência a serviço daqueles que passaram vários anos poupando recursos para iniciar um empreendimento. De que modo? Orientando sobre técnicas construtivas mais econômicas, identificando os limites impostos – seja por regulamentos e leis diversas, seja por condições físicas do entorno; além de conhecer a capacidade técnica da mão de obra local e no que ela pode contribuir para o resultado final da obra.

Posto isso, para nós é sempre um prazer fazer parte deste processo de crescimento – em vários aspectos – daqueles que firmam o grande propósito que significa edificar o próprio teto.

Feliz Natal e Próspero 2018!

Grandini & Tosetto apresentam a Poltrona Pergolada
Que esta poltrona fique sem uso enquanto você precisar agir!

Na semana que antecedeu o Natal deste ano, fui ao supermercado comprar panetones. No momento de pagar a conta, a operadora do caixa perguntou:

- Mais alguma coisa, senhor?

- Sim: a paz mundial.

Infelizmente aquele estabelecimento não tinha a paz mundial no estoque. E se você esperar por ela neste ano que se aproxima, então é melhor esperar sentado.

Mas tem coisas que você não precisa esperar para ver acontecer, pois são coisas que você pode fazer acontecer. Lembre-se: o sorriso da pessoa ao lado pode ser provocado pelo seu sorriso.

Neste caso, pegue um lápis e uma folha de papel, chame alguém que tenha um esquadro e uma serra, e comece o projeto para a execução de um ano melhor para você e aqueles que te cercam.

E se for para ficar sentado, que seja para refletir e buscar inspiração. Nunca para esperar.

Mas Natal não é tempo de fé e esperança?

Com certeza. Mas estes sentimentos, sem boas ações, não são sequer boas intenções.

Se você se levantar para caminhar com os bons, nunca estará sozinho.

Feliz Natal! Feliz 2018!

Jean Tosetto & Família

Grandini & Tosetto apresentam a Poltrona Pergolada

A Poltrona Pergolada, de Grandini & Tosetto, é o primeiro projeto da parceria estabelecida em Paulínia, no interior de São Paulo.
A Poltrona Pergolada, de Grandini & Tosetto, é o primeiro projeto da parceria estabelecida em Paulínia, no interior de São Paulo.

A parceria entre um arquiteto e um marceneiro rende o projeto de uma poltrona que conjuga a beleza da madeira do Jequitibá-rosa com o conforto do estofamento revestido em couro ecológico.
Por Jean Tosetto *

Meu avô paterno, Anibal Tosetto, construiu seu primeiro móvel de madeira aos 18 anos de idade, em 1924: uma arca para copa, que existe até hoje em Caçapava, no Vale do Paraíba de São Paulo. Sem saber, ele deu início a uma tradição na família que agora chega na terceira geração.

Nos anos de 1970, após longa carreira como marceneiro, carpinteiro e sócio de madeireira, ele retirou-se das atividades e o bastão foi pego por um de seus nove filhos, Dario Tosetto, que segue como marceneiro até hoje.

O perfil da cadeira salienta relações matemáticas, entre as quais se destaca a razão de um para três, reconhecível nas alturas das junções do assento com as pernas laterais, em comparação com a trava inferior.
O perfil da cadeira salienta relações matemáticas, entre as quais se destaca a razão de um para três, reconhecível nas alturas das junções do assento com as pernas laterais, em comparação com a trava inferior.

O desafio

No começo de 2017, estivemos reunidos em família para comemorar a formatura no curso de Direito da minha afilhada, a Sarah, quando o tio Dario se aproximou e perguntou sobre meu trabalho. Respondi:

- Penso que estou chegando na maioridade, afinal de contas já são 18 anos de carreira profissional como arquiteto.

Então, ele me surpreendeu:

- Você ainda não é um arquiteto completo. Um arquiteto de verdade é aquele que consegue projetar uma cadeira. É mais difícil conceber uma poltrona diferente do que planejar uma edificação.

Neste momento lembrei de meu outro avô, Ernesto Mantei, que também era marceneiro e carpinteiro na oficina de seus irmãos em Cândido Godói, no interior do Rio Grande do Sul. Devo ter algumas fibras de madeira no meu DNA e o diálogo com meu tio me fez crer que a oportunidade para demonstrar isso havia se configurado.

Ligando os quadrantes laterais, há uma travessa superior que pode servir de anteparo para luminárias e prateleiras encaixáveis
Ligando os quadrantes laterais, há uma travessa superior que pode servir de anteparo para luminárias e prateleiras encaixáveis.

O mote

Ao pensar sobre os conceitos que esta poltrona deveria refletir, recorri ao meu repertório formal de anos acompanhando e dirigindo obras. Indaguei que perfil de madeira usado largamente nas construções civis poderia ser levado para o projeto de um móvel.

Encontrei a resposta no menor deles: a seção de 6 por 2 centímetros é a recomendada para o perfil das ripas que suportam as telhas - cerâmicas ou de concreto - nas coberturas convencionais das casas. Então decidi que usaria este perfil em todas as peças de madeira da poltrona.

Ao desenhar dois quadrantes para sustentar o assento e o encosto do móvel, me veio na mente a estrutura do pergolado que tenho no jardim da minha casa e escritório, cujas colunas são compostas por pares de vigas separadas por peças que fazem o travamento do conjunto. Deste modo, transformei as ripas em pérgolas e defini o nome da cadeira antes mesmo de terminar seu projeto: "Poltrona Pergolada".

As pérgolas do encosto ganham destaque no contraste com a almofada em tom escuro. O miolo das pernas é ligeiramente recuado em relação às peças laterais, aumentando a linearidade do conjunto.
As pérgolas do encosto ganham destaque no contraste com a almofada em tom escuro. O miolo das pernas é ligeiramente recuado em relação às peças laterais, aumentando a linearidade do conjunto.

A parceria

Cheguei num ponto em que precisava da parceria com um marceneiro experiente para construir o primeiro protótipo. O tio Dario estava distante quase 200 quilômetros do meu escritório, mas o parceiro ideal estava a pouco mais de 50 metros do meu endereço: era o mestre marceneiro Doni Grandini, com mais de 25 anos de profissão, para quem projetei uma casa no ano 2000, ainda no começo da minha carreira.

Desde então ele já colaborou comigo em diversas obras, inclusive na minha casa e escritório. Em todas as vezes que precisei de um marceneiro, ele sempre foi o primeiro nome. Ao mostrar os desenhos da Poltrona Pergolada, não esperava outra resposta que não fosse sua aceitação em ser parceiro no projeto.

Em poucos dias o Grandini elaborou um protótipo em MDF, seguindo rigorosamente os desenhos que lhe entreguei. Sua colaboração não se restringiu na construção da peça. Ele propôs aprimoramentos na mesma, desde a substituição dos parafusos aparentes por cavilhas embutidas, passando pelos arremates do assento e encosto, chegando no sensível recuo das peças centrais dos quadrantes laterais.

Cintas de couro ecológico ligam as almofadas ao assento e encosto da poltrona através de botões metálicos.
Cintas de couro ecológico ligam as almofadas ao assento e encosto da poltrona através de botões metálicos.

A evolução

Tivemos várias reuniões diante da poltrona em MDF, que riscávamos com a intenção de melhorar o projeto. Retiramos componentes de travamento que apenas adicionavam peso no conjunto. Limpamos o visual, movendo partes da cadeira para regiões mais discretas, sem perder a rigidez do móvel. Por fim, emendamos o arremate dos braços laterais com o vigamento superior da trava na traseira.

Apesar da ergonomia estar praticamente resolvida, consideramos aumentar o conforto da poltrona adicionando almofadas que pudessem vestir o móvel. Desenvolvemos almofadas iguais, tanto para o assento como para o encosto. Como essas partes são inclinadas, fixamos as almofadas na madeira através de cintas abotoáveis: três para cada almofada.

A princípio, as almofadas seriam de couro natural, mas optamos por trabalhar com o couro ecológico num tom neutro, mais de acordo com os novos tempos. A cor negra foi escolhida para gerar o contraste com a madeira. As cintas seriam num tom amarronzado, funcionando como transição em dois sentidos: ligando a madeira clara nas almofadas escuras.

As almofadas do encosto e do assento possuem as mesmas dimensões e são intercambiáveis. Elas permitem variações de texturas e estampas através de capas opcionais.
As almofadas do encosto e do assento possuem as mesmas dimensões e são intercambiáveis. Elas permitem variações de texturas e estampas através de capas opcionais.

As raízes

Com o projeto refinado, após semanas de estudos intercalados com aprimoramentos feitos na marcenaria do Grandini, resolvemos construir o primeiro exemplar em madeira. Neste ponto teríamos que decidir que tipo de madeira usar. Escolhemos a madeira do Jequitibá-rosa, uma árvore que ocorre principalmente na Mata Atlântica, na costa sudeste do Brasil, sendo um símbolo do Estado de São Paulo.

Portanto, nossa poltrona nasce para homenagear as qualidades da região brasileira que mais atrai talentos em diversas áreas. Um modo de mostrar que no interior paulista, onde vivem brasileiros de todas as origens, também se faz móveis de primeira linha.

A Poltrona Pergolada vista de cima. Dimensões gerais: 72 cm de largura, 74 cm de profundidade e 78 cm de altura.
A Poltrona Pergolada vista de cima. Dimensões gerais: 72 cm de largura, 74 cm de profundidade e 78 cm de altura.

O futuro

Chegamos ao término de 2017 com o desafio concluído. Novas perspectivas se abriram desde então. A Poltrona Pergolada permite a criação de complementos que se valem dos mesmos conceitos, como um puf almofadado e uma bandeja giratória de apoio para leitura de livros, smartphones e tablets, ou para louças e talheres em refeições.

Esta bandeja, já concebida, mas ainda em desenvolvimento, se apoiará num dos braços do móvel e poderá ser acondicionada atrás do encosto - onde há suporte, ainda, para a instalação de uma luminária.

Neste momento, porém, queríamos apresentar nossa primeira criação em sua forma original, acreditando que ela reúne atributos para ser desejada por si só. A Poltrona Pergolada, da parceria Grandini & Tosetto, possui legítimo design italiano e será produzida em série limitada a partir de 2018.

A Poltrona Pergolada confere elegância e imponência para enriquecer ambientes de bom gosto.
A Poltrona Pergolada confere elegância e imponência para enriquecer ambientes de bom gosto.

Para mais informações, entre em contato.

* Jean Tosetto é arquiteto e urbanista desde 1999, autor e editor de livros desde 2012, e também designer de móveis de agora em diante.

Veja também:

Guia Suno Dividendos: a estratégia para investir na geração de renda passiva

Guia Suno Dividendos. Clique na imagem para acessar a loja da Amazon.
Clique na imagem para acessar a loja da Amazon.

O arquiteto e urbanista Jean Tosetto tornou-se escritor e editor em 2012, com a publicação do livro que conta a história do MP Lafer. Em 2015 desenvolveu, em parceria com o professor Ênio Padilha, um manual para arquitetos recém-formados. Já em 2017 ele foi convidado por Tiago Reis, fundador da Suno Research, para trabalhar no Guia Suno Dividendos, destinado aos investidores individuais no Brasil.

Reproduzimos, a seguir, o prefácio desta obra pioneira no mercado brasileiro, sobre a estratégia de investimentos em longo prazo para adeptos da renda variável.

A missão da Suno Research

A cada geração, uma parte da humanidade se compromete em deixar o mundo um lugar melhor do que encontrou. Este contingente populacional acredita que, para tanto, é preciso investir em inovações.

Foram as inovações promovidas pela humanidade, ora confundidas com descobertas, ora confundidas com invenções, que nos tiraram da Idade da Pedra e nos colocaram no olho do furacão da Era Digital.

Nos últimos séculos, quase todas as inovações científicas e tecnológicas foram difundidas pelas instituições empresariais, sejam elas privadas ou públicas, sejam elas visando lucros ou não.

Grande parte das empresas que promoveram inovações recorreu ao mercado de capitais para obter financiamentos para os seus projetos. Esta premissa continua válida.

Os países onde os mercados de capitais são mais desenvolvidos concentram também as empresas mais inovadoras do planeta. Nos Estados Unidos, milhões de pessoas investem suas economias nas Bolsas de Valores.

Grande parte dos norte-americanos obtém a independência financeira, ou o planejamento da aposentadoria, se associando com grandes empresas que movimentam a economia global.

São bombeiros, advogados, professoras, dentistas, e até zeladores que se convertem em investidores, atraindo empreendedores de várias origens, que encontram dificuldades de empreender em sua terra natal.

No Brasil, o mercado de capitais ainda é muito pequeno perto de sua capacidade plena. Menos de meio por cento da população brasileira economicamente ativa investe através da Bolsa de Valores de São Paulo.

A missão da Suno Research é justamente promover a educação financeira de milhares de pequenos e médios investidores em potencial. 

Como casa independente de pesquisas em investimentos de renda variável, a Suno quer demonstrar que os brasileiros podem se libertar do sistema público de previdência, através de investimentos inteligentes no mercado financeiro. 

O brasileiro também pode financiar a inovação, gerando divisas para seu país e se beneficiando dos avanços promovidos pela parceria entre investidores e empreendedores.

O investidor brasileiro em potencial ainda tem receio de operar em Bolsa. Vários são os mitos que o afastam do mercado de capitais, visto como um ambiente restrito aos especialistas e aos mais endinheirados.

A facilidade para realizar aplicações bancárias – embora pouco rentáveis – aliada com os conflitos de interesse de parte das corretoras de valores, que fornecem análises tendenciosas de investimento visando comissões com transações em excesso; são fatores que também afastam muita gente do mercado financeiro nacional.

Como agravante, a Suno tem em seu segmento de atuação empresas que fazem um jogo publicitário pesado, oferecendo promessas de enriquecimento que não se comprovam na realidade. Não existe enriquecimento rápido, mas tal possibilidade ocorre no longo prazo.

Através de seus artigos, análises de empresas e fundos imobiliários, vídeos, cursos – e agora também livros – a Suno vem para iluminar a relação do brasileiro com o mercado de capitais, que se não tem a solução para todos os problemas, é parte do esforço da humanidade para deixar este mundo melhor, através de investimentos em valores monetários, morais e éticos.


Veja também: