Colaborações com a Suno Research

Clique na imagem para acessar os artigos publicados no site da Suno Research.
Clique na imagem para acessar os artigos publicados no site da Suno Research.

Construir a casa própria é o sonho de muita gente. Quando alguém consegue realizar este objetivo, precisa continuar pensando no futuro. Uma das melhores formas de garantir a previdência e a segurança da família é investir no longo prazo através do mercado de capitais. Como? A Suno Research tem a resposta.

Por Jean Tosetto *

Em meu escritório de Arquitetura posso afirmar que 80% das pessoas que me procuram para desenvolver um projeto desejam construir a casa própria que é, de fato, um dos maiores investimentos que as famílias brasileiras de classe média podem fazer.

Há quem diga que financiar a compra de um imóvel - ou construir a casa própria - não seja uma boa ideia, alegando potenciais vantagens em pagar aluguel, por causa da mobilidade que isso proporciona, entre outros fatores.

Prefiro me fiar na palavra de autores de clássicos sobre educação financeira e investimentos para afirmar que, sim, construir a casa própria pode ser um ótimo investimento, embora toda a suspeição do mundo possa recair sobre meus ombros pelo fato de ser arquiteto.

O norte-americano George S. Clason, autor do best-seller "O homem mais rico da Babilônia" não era arquiteto, mas declarava que morar na própria residência era uma questão de equilíbrio emocional, além da segurança que um teto oferece.

Já o brasileiro Décio Bazin foi mais enfático, ao narrar um episódio em seu livro "Faça fortuna com ações antes que seja tarde" no qual ele orienta um jovem sobre a necessidade de ter a casa própria antes de comprar as primeiras ações.

Luiz Barsi Filho, o maior investidor pessoa física do Brasil, com mais de 1 bilhão de reais girando na Bolsa de Valores de São Paulo, concorda com Bazin. Warren Buffett, simplesmente o maior investidor da história, com dezenas de bilhões de dólares acumulados, mora na mesma casa em Omaha, no interior dos Estados Unidos, desde a década da 1950.

Com tantos anos dedicados ao ofício de projetar casas próprias, era natural que eu me interessasse por investimentos e pelo mercado financeiro em linhas gerais. Conceitos como "margem de segurança", "planejamento" e "definição de metas" são comuns tanto no mercado de capitais como no mercado imobiliário.

Por trabalhar por conta própria, sem um salário fixo, sempre tive renda variável, literalmente. Desde cedo me preocupei em destinar corretamente os ganhos excedentes que pudessem me ajudar a enfrentar momentos de crise.

Venho fazendo isso por intermédio de investimentos na construção civil, mas também através da compra de ações de empresas de grande porte e cotas de fundos imobiliários consolidados. Destas ações e cotas obtenho renda passiva complementar através dos dividendos.

Gostaria de saber mais a respeito? Então tenho uma boa notícia: desde janeiro de 2017 venho colaborando com a Suno Research, uma casa independente de pesquisas sobre investimentos no mercado de capitais, direcionada para investidores de pequeno e médio porte.

Na Suno, escrevo artigos sobre "Value Investing" - investimento em valor - e resenhas de livros que tratam do tema, com o objetivo de passar para um público mais amplo que a independência financeira e a real aposentadoria estão ao alcance daqueles que conseguem poupar parte da sua renda.

Clique aqui para acessar o índice de artigos e boa leitura!

Jean Tosetto é arquiteto e urbanista formado pela FAU PUC de Campinas, com escritório próprio desde 1999. Autor e editor de livros, é adepto do “Value Investing”.

Veja também:

A retrospectiva da carreira de Percival Lafer

As poltronas da Lafer ordenadas em linha de exposição - não mais de montagem.
As poltronas da Lafer ordenadas em linha de exposição.

É impossível sintetizar em breves linhas a carreira de um profissional que caminha para seis décadas de constantes aprimoramentos. Mas uma história sem ponto final precisa ser contada a partir de pontos de referência. Um deles certamente será a homenagem rendida pela Design Weekend paulistana. 

Há muitos atributos relacionados ao nome de Percival Lafer. Ele é arquiteto de formação, mas é reconhecido primordialmente como designer e empresário. Sua esposa, Branca, atesta: "Ele é um workaholic". Um trabalhador compulsivo sem tempo para cultivar a autopromoção, tão comum em tempos pós-modernos, de perfis em redes sociais da Internet que atuam como bombas infladoras de egos.

Percival, a despeito de ser detalhista, perfeccionista, conciso, compenetrado, assertivo e generoso ao mesmo tempo, é sobretudo um domador de vaidades. Se não fosse assim, a Lafer não chegaria aos 90 anos de história.

Percival Lafer e sua esposa, Branca.
Percival Lafer e sua esposa, Branca.

A maioria das empresas familiares quebra na segunda geração. Um pai cria um negócio promissor, oferecendo um padrão de vida confortável para os filhos. Estes, quando assumem a firma, se desentendem ou retiram proventos da empresa acima de sua capacidade. Logo, com a má gestão dos recursos, as dívidas aumentam para manter o capital de giro e, em poucos anos, o empreendimento entra em falência. No caso da Lafer, isso não ocorreu.

A primeira loja de móveis Lafer foi fundada pelo patriarca Benjamin em 1927. Com seu precoce falecimento, os filhos Samuel, Oscar e Percival assumiram a condução dos negócios no limiar da década de 1960. Eles estabeleceram uma divisão de trabalhos onde cada um assumiu responsabilidades nas áreas em que eram mais eficientes. Ao invés de apenas vender móveis, eles se propuseram a desenvolver e fabricar as próprias criações.

A Lafer foi pioneira no conceito de reciclar e reusar, com a linha Woodstick.
A Lafer foi pioneira no conceito de reciclar e reusar, com a linha Woodstick.

Coube a Percival se concentrar nos projetos das mobílias, em tempo quase integral, pois era necessário se inteirar das outras atividades da empresa. Desde o primeiro móvel patenteado ele nunca assinou uma peça com seu nome completo. E foram centenas delas desde então. Ao invés disso, os móveis vinham apenas com a etiqueta da Lafer - um selo de qualidade.

Era a vaidade domada em nome de um objetivo maior, e deste modo a Lafer chegou a empregar simultaneamente 1.500 funcionários. A empresa incorporou o lançamento de um automóvel ao seu portfólio em 1972. Seus produtos alcançaram os mercados mais competitivos da América do Norte e da Europa, ocupando anúncios em grandes jornais e vitrines de lojas de departamento, como o Mappin. Enquanto isso, Percival trabalhava ininterruptamente. Era assim que ele faz seu mundo girar até hoje.

A poltrona Adele, da década de 2010, faz par com a MP-1 de 1961, diante do automóvel MP Lafer dos anos de 1970.
A poltrona Adele, da década de 2010, faz par com a MP-1 de 1961, diante do automóvel MP Lafer dos anos de 1970.

Talvez por isso, o reconhecimento por suas realizações está vindo de forma tardia, não por sua iniciativa, mas por causa dos admiradores que amealhou ao longo dos anos. E isso faz toda a diferença.

Os primeiros móveis da Lafer, que agregavam design refinado, conforto e produção em larga escala, foram se escasseando ao longo das décadas. Estes modelos se tornaram colecionáveis e entraram na mira dos antiquários, que lhe conferiram o status de peças artísticas. Ocorre que obras de arte não são assinadas por empresas, mas por artistas. Logo uma pergunta começou a circular entre os entusiastas de móveis modernistas: "Quem são os designers por trás das criações da Lafer?" - A resposta corrige a pergunta ao entregar um nome singular: Percival Lafer.

O marceneiro Doni Grandini inspeciona a poltrona Mirage, de aspecto futurista.
O marceneiro Doni Grandini inspeciona a poltrona Mirage, de aspecto futurista. 

Em 2017, os organizadores da Design Weekeend de São Paulo - o quinto maior evento do ramo no mundo e o maior da América Latina - finalmente reconheceram a trajetória deste designer com 81 anos de idade e mais de meio século de carreira. O arquiteto Felipe Hess e o restaurador Teo Vilela realizaram um trabalho inédito em menos de um mês: eles reuniram 50 peças de todas as décadas da Lafer em seu período como fabricante de móveis.

A reunião de dezenas de peças da Lafer, de diversos períodos, é algo inédito na Design Weekend.
A reunião de dezenas de peças da Lafer, de diversos períodos, é algo inédito na Design Weekend.

A Loja Teo, na Rua João Moura em Pinheiros, região nobre de São Paulo, abrigou inclusive um veículo MP Lafer em suas instalações. O espaço é minimalista, de paredes caiadas, piso em cimento queimado dividido em planos ligados por rampas e degraus em leque, cuja cobertura com tesouras de madeira aparente suporta um sistema luminotécnico pensado para valorizar os móveis expostos.

No dia 10 de agosto o próprio Percival Lafer esteve presente no recinto para uma conversa conduzida por Regina Galvão - curadora da Design Weekend - diante de arquitetos, designers, estudantes, colecionadores, jornalistas, escritores e entusiastas do MP Lafer, além de parentes e amigos.

Os admiradores de Percival Lafer se reúnem entre suas criações para ouvir o mestre falar.
Os admiradores de Percival Lafer se reúnem entre suas criações para ouvir o mestre.

Por quase duas horas o empresário falou sobre seu processo criativo, sua obstinação pelo aperfeiçoamento constante dos mecanismos que envolvem seus projetos e da importância de considerar os aspectos mercadológicos no desenvolvimento de produtos acima da mera especulação estética dos mesmos. Ele respondeu perguntas diversas e recebeu os merecidos elogios de seus pares.

A advogada Anna Figueiredo, especialista na área de direitos autorais, fez um testemunho a respeito da atenção que recebeu de Percival, que lhe concedeu uma entrevista para sua tese. A Lafer, desde a década de 1960, registra suas criações através de patentes, razão pela qual a sigla MP, que batiza grande parte dos modelos, significa "Móveis Patenteados".

O jornalista Wagner Gonzalez lembrou de outro automóvel apresentado pela Lafer nos anos de 1970, o LL, que tinha inovações tecnológicas que somente foram incorporadas por outras marcas no mercado nacional mais de uma década depois. Já o estudante de Arquitetura José Victor levou um exemplar do livro "MP Lafer: a recriação de um ícone" para ser autografado pelo homenageado do dia.

O detalhe de um painel com imagens de acervo mostra o perfil do Lafer LL ao centro.
O detalhe de um painel com imagens de acervo mostra o perfil do Lafer LL ao centro.

Caminhar entre os móveis da Lafer é como ter uma aula de design. Existem pormenores de determinadas peças que são difíceis de assimilar somente por fotografias, como podemos verificar na poltrona do conjunto MP-13, na qual os componentes de madeira dos braços não se comunicam com a estrutura de mesmo material presente na base, a não ser por discretos perfis metálicos delgados, causando a impressão de flutuação de todo o volume estofado.

A princípio, você consideraria isso uma ousadia meramente estética, mas um olhar mais técnico revela que as peças metálicas, que unem as partes de madeira, permitem a desmontagem do móvel, tornando-o capaz de ser transportado em compartimentos menores. Multiplique isso pela produção em larga escala e pelo custo do frete para exportação, para constatar que a solução de apelo estético atende a uma demanda mercadológica de baratear a logística de armazenamento e distribuição do produto. Eis a arte a serviço da racionalização que está na essência das atividades industriais.

A poltrona do conjunto MP-13 da década de 1960: união de conforto, estética e racionalidade.
A poltrona do conjunto MP-13 da década de 1960: união de conforto, estética e racionalidade.

Poderíamos nos estender pelos comentários de cada projeto de Percival Lafer, e este artigo seria um livro de várias páginas. Um livro que poderá ser lançado um dia pelas filhas do arquiteto: Betina, Adriana e Paula, também presentes no evento.

Por ora vamos nos referir a esta retrospectiva da carreira de Percival Lafer como um evento histórico. O peso de tal afirmação não recai sobre nós, uma vez que a mesma partiu do escritor Ignácio de Loyola Brandão, o outro gênio da noite com 81 anos de idade, que esteve na celebração para reavivar um antigo sonho: em sua juventude ele se encantou pelo MP Lafer tanto quanto pelo modelo britânico MG TD, embora nunca tivesse aprendido a dirigir.

O escritor Ignácio de Loyola Brandão ao lado de um fã. (Foto: Doni Grandini)
O escritor Ignácio de Loyola Brandão ao lado de um fã.

Um evento como este não fica restrito ao dia de seu acontecimento. Ele vai reverberar em desdobramentos e influenciar uma nova geração de designers. Portanto, cabe o agradecimento aos que tornaram isto possível.

A Loja Teo foi convertida numa sala de aula: aula magna.
A Loja Teo foi convertida numa sala de aula.

- Por Jean Tosetto

Veja também:


Residência Manzan no Quinta d'Oliva em Paulínia - 2016~2017

A fachada da casa, voltada para a face oeste, onde o sol se põe, possui a janela dimensionada para mesclar a fonte de luz natural da sala, sem levar excesso de calor para o interior da edificação, no período da tarde.
A fachada da casa, voltada para a face oeste, onde o sol se põe, possui a janela dimensionada para mesclar a fonte de luz natural da sala, sem levar excesso de calor para o interior da edificação, no período da tarde.

Terrenos menores, casas menores. Esta é uma tendência no mercado imobiliário de Paulínia, depois que a região entrou no radar das grandes construtoras nacionais de apartamentos, inflacionando o preço das glebas. Além do mais, a opção por uma vida mais simples é um comportamento verificado nesta geração.

O Residencial Quinta d'Oliva é um pequeno condomínio localizado no Bairro Morumbi, em Paulínia. Assim como ocorre nas imediações de Santa Terezinha, este empreendimento surgiu a partir de antigas chácaras que não foram comercializadas com as construtoras de edifícios de apartamentos, que geraram um grande estoque dos mesmos na cidade.

O lugar é composto por uma pequena praça central com quiosque de lazer, brinquedos, piscina e quadra esportiva, circundada por uma alameda cujo trânsito se dá no sentido anti-horário. Nas laterais ficam os lotes residenciais: oito de cada lado. Na frente, a portaria de segurança é adornada por um jardim.

Esta configuração recria o ambiente de antigas vilas paulistanas, onde crianças brincavam na rua sem que seus pais ficassem preocupados - motivo pelo qual o casal adquiriu um lote no condomínio para construir uma casa, com vistas a criar o filho pequeno.

Numa residência térrea com área construída comedida, é imperativo promover a integração de cômodos sociais, como sala de estar e jantar, com a cozinha e a varanda de lazer aos fundos.
Numa residência térrea com área construída comedida, é imperativo promover a integração de cômodos sociais, como sala de estar e jantar, com a cozinha e a varanda de lazer, aos fundos.

O terreno de 300 m², com 12 metros de largura por 25 metros de profundidade, permitiu o desenvolvimento de projeto para uma casa térrea com 167 m². Em linhas gerais o programa foi divido em dois setores: a suíte, dois dormitórios e o banheiro social ficaram agrupados na porção esquerda do lote, orientados para a face norte, diante de um corredor externo cuja largura permite a passagem de veículos atrás da garagem. Em oposição ficaram as salas de estar e jantar integradas com a cozinha e a varanda gourmet aos fundos, que por sua vez dá acesso à lavanderia e a um depósito.

A cozinha com ilha central e coifa sobre o cooktop foi um pedido expresso do casal, que levou para a casa nova alguns móveis tradicionais da residência anterior, temperando o novo ambiente com boas lembranças.
A cozinha com ilha central e coifa sobre o cooktop foi um pedido expresso do casal, que levou para a casa nova alguns móveis tradicionais da residência anterior, temperando o novo ambiente com boas lembranças.

Na sala de jantar, a fonte de luz natural vem da face sul, razão pela qual foi possível conceber uma grande porta de correr envidraçada, sem que isso criasse também uma fonte de calor, por causa da luz difusa que não traz raios solares diretamente para o cômodo. Sequer foi necessário instalar uma cortina em tal esquadria. A ventilação cruzada que a mesma oferece para a edificação ocorre quando as portas dos dormitórios ficam abertas para o hall interno. No outro sentido, fachada e fundos se comunicam diretamente, por causa da integração dos ambientes, promovendo a constante troca de ar, quando portas e janelas estão ao menos parcialmente abertas.

Esta mesa foi concebida pelo próprio Manzan. Ela usa vigas de peroba, oriundas de um telhado de mais de 40 anos, sob um tampo de vidro temperado. A simplicidade e a beleza para decorar o ambiente da churrasqueira.
Esta mesa foi concebida pelo próprio Manzan. Ela usa vigas de peroba, oriundas de um telhado de mais de 40 anos, sob um tampo de vidro temperado. A simplicidade e a beleza para decorar o ambiente da churrasqueira.

As cores claras das paredes, de matizes orgânicas, permitem que os móveis de madeira aparente, vindos da residência anterior do casal, ganhem protagonismo na decoração dos ambientes. Nem tudo precisa ser 100% novo numa casa nova - inclusive o carro, que se for antigo e bem conservado, deixará o conjunto ainda mais bonito e charmoso.

Anterior - Próximo (breve em JeanTosetto.com)

Veja também:

Qual é o valor justo de um projeto arquitetônico?

Qual é o valor justo de um projeto arquitetônico? - Por Jean Tosetto

Por mais caro que um projeto de Arquitetura possa parecer, tal serviço será sempre muito acessível perto do valor total do empreendimento, que vai além do valor da construção, pois abrange também o valor do terreno e o valor total da edificação concluída sobre este.

Por Jean Tosetto *

O telefone do escritório toca e, do outro lado da linha, alguém pergunta:

- Quanto você cobra por metro quadrado para fazer um projeto?

Está é uma questão simples e direta que não merece uma resposta simples e direta. Em primeiro lugar respondo que não faço orçamentos por telefone ou por e-mail. Em seguida explico que a prestação de serviços de Arquitetura é complexa demais para ser apreciada como um produto disponível em vários fornecedores, como se fosse um par de sapatos ou uma camisa.

O sapato e a camisa podem ser comprados pelo menor preço, mas contratar um arquiteto por tal premissa não costuma ser uma boa ideia. Tento me colocar no lugar de quem está pesquisando preços e compreendo que estas pessoas não tem a obrigação de saber isso. Cabe a nós, arquitetos, explicar a situação de modo didático.

Um projeto de Arquitetura não deve ser cotado simplesmente por um valor arbitrário do metro quadrado. Uma casa de 200 m² com três suítes, garagem para dois carros, salas integradas com a cozinha e churrasqueira - fora o escritório e a piscina - é muito mais complexa para projetar do que um galpão de 400 m² com um sanitário de uso universal. Aplicar a mesma razão de preço pela área deixaria o projeto da casa barato demais, ou o projeto do galpão caro demais.

Tabelas

Existem tabelas fornecidas por entidades que reúnem profissionais de Arquitetura, que apresentam métodos para calcular o valor dos projetos arquitetônicos, bem como os projetos complementares de instalações hidráulicas e elétricas, estruturas, paisagismo, decoração de interiores e maquetes eletrônicas, entre outros serviços. Em geral tais métodos levam em conta o valor da hora trabalhada, a quantidade de profissionais envolvidos no processo e uma série de aspectos que tornam a composição do preço incompreensível tanto para profissionais quanto para clientes. Como resultado prático, temos valores excessivos, muito acima da realidade praticada no mercado da construção civil.

Relação com o valor da obra

Faz mais sentido avaliar um projeto arquitetônico em função do valor total da obra, levando em conta a escolha dos materiais básicos, o tipo da estrutura e os padrões de acabamento, além de aspectos como a topografia do lote e as restrições de ordem legal ou física. Tal valor só poderá ser tangenciado após a elaboração de um estudo preliminar. É deste modo que procedo, pedindo um sinal para tal tarefa inicial. Mesmo que simbólico, tal sinal indica o compromisso do eventual cliente com o arquiteto: quando o primeiro se recusa a pagar pelo sinal, significa que o arquiteto não deve desenhar para ele sem compromisso.

Com o estudo preliminar concluído, é possível fazer uma estimativa inicial do custo da obra. O valor do projeto arquitetônico será uma pequena porcentagem deste. Em linhas gerais, um projeto de Arquitetura pode ser contratado entre 3 e 5% do valor da obra. A variação se dá pela contratação, ou não, dos serviços complementares.

Obviamente existem profissionais que cobram mais, em função de sua experiência e renome no mercado. Mas, infelizmente, a maioria dos arquitetos trabalha abaixo dessa porcentagem, especialmente os profissionais mais jovens, com poucos anos de prática.

Termos comparativos

Por mais caro que um projeto de Arquitetura possa parecer - e não estamos aqui tratando de valores para acompanhamento ou administração de obras - tal serviço será sempre muito acessível perto do valor total do empreendimento, que vai além do valor da construção, pois abrange também o valor do terreno e o valor total da edificação concluída sobre este.

A título de exemplo, vamos considerar um terreno de 300 m² num loteamento fechado de uma cidade próspera do interior de São Paulo, avaliado em R$ 200.000,00. Nele, uma família constrói um sobrado com 180 m² ao custo médio de R$ 2.500,00 por m², investindo no total R$ 450.000,00. O preço de custo do imóvel ficaria em R$ 650.000,00 mas a valorização do conjunto adiciona 30% a este investimento. Trata-se de um imóvel que, para o mercado imobiliário, vale pelo menos R$ 845.000,00.

Um corretor de imóveis que hipoteticamente aceite vender este sobrado, o fará por uma comissão de 6% do valor total, ou seja: R$ 50.700,00. Enquanto isso, o arquiteto teve jogo de cintura para fechar o projeto em 3% do valor da construção, quer seja: R$ 13.500,00. Conclusão: para o mesmo empreendimento, um corretor de imóveis estaria ganhando 3,75 vezes mais do que um arquiteto, sem assumir a responsabilidade técnica pelo projeto.

Não é o caso de criticar a postura dos corretores de imóveis. Eles estão certos em trabalhar com esta margem de retorno, pois atendem um volume de pessoas muito maior, que em grande parte não fecham negócios. O que se deve ter em mente é que o trabalho do arquiteto exige muito mais de seu intelecto e que, pelo tamanho de sua responsabilidade, ele estará sempre atuando por um valor absolutamente acessível para o investidor consciente.

Risco versus retorno

Quando um arquiteto assina um projeto como autor e responsável técnico da obra perante organismos estatais, ele fica sujeito a responder por diversas irregularidades durante a construção e após o término dela, quando não há registro de responsabilidade pela execução da mesma por parte de terceiros. Esta é uma situação muito comum em todo o Brasil, quando os clientes de arquitetos contratam mão-de-obra sem o respaldo de uma construtora ou mesmo de outro arquiteto ou engenheiro civil que possa gerenciar a construção.

Ao assinar um termo de Registro de Responsabilidade Técnica (RRT) por uma obra, é como se o arquiteto entregasse para seu cliente uma apólice de seguros, com a diferença de que ele não é uma seguradora de grande porte, cujos ativos alcançam bilhões de reais para cobrir eventuais sinistros. O patrimônio de um arquiteto, por maior que seja, pode sofrer danos irreversíveis caso que ele venha a responder por um erro de execução, ou ainda por algum acidente de trabalho, onde o mesmo será, no mínimo, arrolado como responsável solidário.

Vamos comparar novamente: uma família pretende segurar seu carro, um sedã seminovo avaliado em R$ 40.000,00. O valor do seguro gira em torno de R$ 2.000,00 - ou 5% do valor total do carro, um pouco mais, um pouco menos. Detalhe: a apólice é vigente apenas por um ano, devendo ser renovada ao fim deste prazo. O arquiteto, ao se tornar responsável técnico de uma obra - por 3 a 5% do valor da construção - o será durante todo o período da mesma, e por um prazo de até cinco anos após o fim desta. Em ocorrências de vícios ocultos, a garantia se estende por toda a vida.

Ou seja: a atividade do arquiteto envolve muito risco por um retorno relativamente pequeno: quando comparado a uma seguradora, o arquiteto recebe de 5 a 15 vezes menos pelo montante direto envolvido na prestação do serviço. É preciso que o cliente em potencial tenha consciência disso na hora da contratação do projeto.

Valor intrínseco e valor de mercado

Se os escritórios de Arquitetura tivessem o capital aberto na Bolsa de Valores de São Paulo, eles seriam analisados pelos investidores de duas maneiras: pelo seu valor intrínseco (com a somatória de todos os seus ativos tangíveis e não tangíveis, como a mobília das suas instalações, os computadores, programas de informática e a qualidade de seus profissionais) e pelo seu valor de mercado expresso na cotação da ação (que indica o quanto as pessoas estão dispostas a pagar para serem sócias do negócio).

Sempre que uma ação aponta um valor de mercado acima do valor intrínseco de uma empresa, quem a comprar estará assumindo o risco da especulação, possivelmente esperando vender tal ação com lucro para outro investidor. Por outro lado, quando a cotação da ação reflete que o valor de mercado da empresa está abaixo de seu valor intrínseco, se estabelece uma margem de segurança que configura o critério da oportunidade para o investidor.

Esta lógica se inverte na prestação de serviços de Arquitetura. Sempre que o valor de mercado de um serviço como este está abaixo do valor intrínseco, o investidor poderá até se beneficiar com a oportunidade, mas assumirá o alto risco de receber um trabalho de qualidade duvidosa.

O arquiteto que se habitua a trabalhar com valores de mercado abaixo dos valores intrínsecos de seu ofício, não conseguirá desenvolver sua carreira em longo prazo, pois estará envolvido com projetos e contratantes que lhe entregarão mais riscos do que retornos financeiros. Por outro lado, ao trabalhar com valores intrínsecos ao seu ofício, o arquiteto deverá primar pela entrega de projetos de primeira qualidade, sem os quais não terá como continuar trabalhando.

Atitude profissional

Em muitas regiões do Brasil, o valor de mercado dos serviços de Arquitetura está cotado abaixo do valor intrínseco da profissão. O arquiteto deve seguir a boiada? De jeito nenhum. Sua carreira depende das condições ideais para exercê-la. Ao aceitar o aviltamento do ofício, o arquiteto só estará reforçando o cenário negativo de seu campo de atuação.

Esperar que o conselho de classe ou o sindicato resolva este problema não é um caminho a considerar. Estas entidades são comandadas, em grande parte, por dirigentes adeptos de uma ideologia antimercado. A visão que eles tem da realidade da profissão é turvada pelas benesses sustentadas pelas anuidades, RRTs e contribuições obrigatórias, que financiam a máquina burocrática e suas convenções regulares. Em suma, eles estão mais preocupados em se manter politicamente nas diretorias do que defender os profissionais.

Enfrentar o aviltamento da profissão é uma atitude que cada arquiteto deve assumir individualmente, recusando propostas de trabalho que não considerem justas. Do mesmo modo, um arquiteto não deve explorar seus parceiros de trabalho, remunerando injustamente eventuais calculistas, topógrafos e engenheiros eletricistas, entre outros fornecedores de serviços complementares.

Isso implica que o arquiteto deve, sempre que possível, investir em renda paralela ao ofício, na forma de aluguéis de imóveis, aplicações financeiras e aquisição de ativos que gerem renda passiva, como cotas de fundos imobiliários e - inclusive - ações de grandes empresas pagadoras de dividendos. Deste modo o profissional terá mais segurança para negociar seus projetos, não se sujeitando a trabalhar sob condições precárias.

O cliente é nosso principal parceiro

Quando um contratante em potencial chega em nosso escritório, ele não deve ser considerado um adversário em potencial, do outro lado da mesa de negociação. Ele precisa entender que, ao tomar a decisão de contratar um arquiteto, já deu um grande passo para executar sua obra da melhor forma possível. Se ele tiver conhecimento do tamanho da responsabilidade que o arquiteto tem com seus sonhos e com os seus recursos, estará disposto a remunerar justamente o profissional que lhe trará tranquilidade e confiança para seguir em frente.

Encomende seu exemplar do livro escrito especialmente para você - clique aqui!
Encomende seu exemplar do livro escrito especialmente para você - clique aqui!

* Jean Tosetto é arquiteto e urbanista formado pela PUC de Campinas. Desde 1999 realiza projetos residenciais, comerciais, industriais e institucionais. Em 2006 foi professor da efêmera Faculdade de Administração Pública de Paulínia. Publicou o livro “MP Lafer: a recriação de um ícone” em 2012. É autor do livro "Arquiteto 1.0 - um manual para o profissional recém-formado", lançado pela OitoNoveTrês Editora em 2015.

Veja também: