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Lições milenares de Roma que Paulínia ainda não aprendeu

Ponte sobre o Rio Tibre que conduz ao Castelo de Sant'Angelo em Roma, Itália.
Ponte sobre o Rio Tibre que conduz ao Castelo de Sant'Angelo em Roma, Itália.

O império romano construiu pontes e estradas para garantir seu domínio sobre as regiões conquistadas. Dois milênios depois, Paulínia ainda está atrasada neste sentido.

Por Jean Tosetto

Roma, a capital da Itália, é uma cidade conhecida mundialmente por abrigar o Vaticano e por ser o berço do Império Romano, que há quase dois milênios moldou os fundamentos da Cultura Ocidental ao promover a junção do direito romano com a filosofia grega e a ética judaico-cristã.

Roma é mais do que um livro de História aberto e mais do que um museu ao ar livre. A Cidade Eterna sobreviveu aos séculos graças à robustez de sua Arquitetura e aos seus esforços na construção de pontes e estradas. Não por acaso: "Todos os caminhos levam à Roma".

Quem tem o prazer de visitar a clássica metrópole, sabe que ela é cortada pelo Rio Tibre, que por sua vez é vencido em vários pontos por pontes - uma mais bela que a outra. Além das pontes, os romanos construíram viadutos e aquedutos - muitos deles por meio de arcos plenos de pedras encaixadas que resistem até hoje.

Desde modo, Roma estabeleceu-se como sede do Império que no seu auge abarcava toda boa parte  da Europa, o Oriente Médio e o Norte da África, contornando o Mar Mediterrâneo. As pontes e estradas romanas garantiram por séculos o desenvolvimento econômico de todo o entorno da Península Itálica.

Com todos os problemas atuais típicos de um grande cidade, os romanos são apaixonados pelo lugar onde vivem. Subentendida em outro ditado famoso - "Em Roma, fale como os romanos" - está a orientação para não falar mal da cidade que acolhe turistas de todo o mundo.

A estrada entre Paulínia e Jaguariúna, no interior de São Paulo, que pouca gente conhece.
A estrada entre Paulínia e Jaguariúna, no interior de São Paulo, que pouca gente conhece.

Do outro lado do Oceano Atlântico estou em Paulínia. Como arquiteto que atua nesta cidade do interior de São Paulo, não deveria falar mal dela, afinal de contas, Paulínia é parte da minha trajetória e do meu sustento. Mas por ser apaixonado pela minha cidade, me permitam tecer algumas críticas construtivas sobre ela.

O perímetro urbano de Paulínia é cortado pelo Rio Atibaia, que separa a região central da região do João Aranha, onde ficam loteamentos fechados importantes, como o Residencial Campos do Conde I e II, o Fontanário, o Residencial Aurora, o Residencial Raízes, além dos populosos Jardim Planalto, Residencial São José I e II e Marieta Dian. É muita gente morando nesta região e muito carro circulando também.

É um absurdo que a região do João Aranha seja ligada ao centro de Paulínia por apenas uma ponte sobre o Rio Atibaia. Deste modo, quem precisa ir para Campinas ou São Paulo, e voltar destas cidades, deve passar pelo centro de Paulínia. Resultado: a cidade com apenas 100 mil habitantes sofre com engarrafamentos feito uma cidade grande.

Parece tão óbvio, mas precisamos escrever: quem governa Paulínia deveria ter a seguinte prioridade: construir pelo menos mais duas pontes para desafogar o João Aranha. A primeira ponte seria para a região do Parque da Represa, de modo que a Rodovia Anhanguera pudesse ser acessada diretamente. A segunda ponte nem precisaria ser sobre o Rio Atibaia, mas deveria ligar o João Aranha à Rodovia Professor Zeferino Vaz. Quem mora no Jardim Calegaris agradeceria profundamente esta decisão.

Ecologia e Matemática

O que custa mais ao meio ambiente? Fazer mais uma ponte sobre o Rio Atibaia, ou respirar o ar dos dois engarrafamentos diários, de manhã e no fim da tarde? Carros andando a menos de 10 km/h perto de escolas e matas ciliares... A resposta me parece clara.

E será que todos os caminhos levam até Paulínia? Como certeza não. Como Paulínia se relaciona com municípios vizinhos? Vejamos:

A principal ligação com Campinas é feita pela Rodovia Professor Zeferino Vaz e, a despeito do trânsito complicado nos horários de pico, ainda teremos que ser gratos se o governo estadual e a concessionária não construírem uma praça de pedágio no meio do percurso.

O caminho alternativo, pela Estrada da Rhodia que liga Paulínia com o Distrito de Barão Geraldo em Campinas, está seriamente prejudicado com a interdição da ponte sobre o Rio Anhumas há alguns anos. É uma vergonha para a classe política que isso ainda não tenha sido resolvido. Como isso sofrem os moradores de Betel, que serve de desvio para essa rota. Ou seja: a ligação entre Paulínia e a Unicamp, mais dois hospitais importantes, está precária.

Na outra ponta temos Cosmópolis. A única via asfaltada para lá é também a Rodovia Professor Zeferino Vaz, quem tem uma praça de pedágio. Isso prejudica a população menos abastada que precisa se deslocar entre as cidades. O caminho secundário é uma estrada vicinal de terra, que passa sobre uma antiga ponte da linha de trem desativada que, se é difícil de se percorrida de dia, é intransitável de noite.

Muitos buracos - pouca sinalização

Na mesma região do funil entre o Rio Atibaia e o Rio Jaguari, temos a vicinal asfaltada que liga Paulínia com Americana, perto da divisa com Limeira. Eis uma estrada de importância fundamental, que se encontra esburacada, sem sinalização e sem acostamento. Uma vergonha para uma cidade que tem uma das arrecadações mais altas do Brasil.

Em estado semelhante está a vicinal que liga Paulínia com o Distrito de Nova Veneza, em Sumaré, partindo do Parque da Represa. Se esta via estivesse em melhores condições, poderia desafogar a principal ligação de Paulínia com a Rodovia Anhanguera, no viaduto que também dá acesso para Hortolândia.

Deixei a situação mais absurda para o final: Paulínia faz divisa com o município de Jaguariúna, na borda do Circuito Paulista das Águas, mas pouca gente se atenta para isso. Há uma estrada vicinal, parcialmente asfaltada, que liga as duas cidades. Esta via parte das imediações da Replan, perto do clube recreativo de seus funcionários, e chega no entorno da Unifaj - Centro Universitário de Jaguariúna. Este caminho simplesmente está interditado, há vários anos, por um portão metálico trancado, e não há explicação lógica para este fato.

Esta é uma estrada que deveria ser livre e asfaltada, pois evitaria que o morador de Paulínia passasse pela congestionada Rodovia Dom Pedro em Campinas para acessar o Circuito Paulista das Águas e o Sul de Minas Gerais. ao invés disso, temos que dar uma volta grande e pagar mais um pedágio.

Cobre de seu candidato

"O desenvolvimento econômico de Paulínia, Jaguariúna, e outras cidades das imediações que se dane". Esta parece ser a mensagem que os políticos e governantes da nossa região transmitem para a população.

Eles deveriam seguir o exemplo de Roma: focar na construção de pontes e estradas. Isso é tão óbvio! Mas essa classe não enxerga - ou não quer enxergar - o óbvio. Eles gostam de passar as férias nos parques da Disney, na Flórida, e esse mundo de faz de conta deve turvar o entendimento deles.

Minha sugestão para os nossos políticos: troquem umas férias em Orlando por uma visita em Roma. Por favor, aprendam algo com os romanos. Mas dos romanos antigos nossos políticos seguem apenas uma péssima lição: eles ficam maquinando como vão derrubar o próximo governante.

Meu amigo paulinense: nas próximas eleições municipais, pergunte sobre Roma para o candidato que bater na porta da sua casa, para pedir seu voto.

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Residência Lovatto no Campos do Conde em Paulínia - 2010~2012

Nesta residência de esquina, a elevação frontal conta com um abrigo para automóvel. Outras duas vagas são acessadas pela rua lateral.
Nesta residência de esquina, a elevação frontal conta com um abrigo para automóvel. Outras duas vagas são acessadas pela rua lateral.

Se você souber que esta casa possui pouco mais de 240 metros quadrados, foi projetada em 2010 e sua construção foi concluída no início de 2012, muito provavelmente tais informações não vão te impressionar.

Tão pouco você vai considerar uma novidade o fato desta residência contar com salas de estar e jantar, vagas cobertas para três carros - duas delas atuando como área de lazer eventual ao lado de uma pequena oficina, com banheiro externo - cozinha servida por lavanderia e despensa, além de dois dormitórios com banheiros no pavimento térreo. O mesmo se aplica ao pavimento superior, com mais dois dormitórios, um mezanino e um banheiro social.

Talvez você goste de saber que este sobrado possui conforto térmico natural, graças a boa orientação dos cômodos em relação ao percurso do sol durante o dia, com farta ventilação cruzada e abundante iluminação - também natural.

O grande diferencial neste trabalho, no entanto, não está perceptível através das fotos e desenhos que o retratam neste site. É preciso ver os documentos de identidade do casal contratante para verificar que ambos já passaram da marca dos setenta anos de idade - praticamente o dobro da idade deste arquiteto.

Nesta fase muitas pessoas buscam se acomodar onde estão, se apegando ao passado e ao lugar onde moraram a maior parte de suas vidas. Mas não neste caso, onde uma demonstração de vitalidade e entusiamo pelo novo foi claramente constatada em cada contato para o desenvolvimento do projeto.

O grande volume que se destaca sobre o telhado de duas águas contém a caixa de água sobre o corpo da escada iluminada naturalmente em quatro pontos.
O grande volume que se destaca sobre o telhado de duas águas contém a caixa de água sobre o corpo da escada iluminada naturalmente em quatro pontos.

Na fase de estudos do projeto, chegou-se a cogitar o uso de uma lareira na sala de estar, mas devido ao clima quente do planalto paulista esta ideia foi abolida.
Na fase de estudos do projeto, chegou-se a cogitar o uso de uma lareira na sala de estar, mas devido ao clima quente do planalto paulista esta ideia foi abolida.

A elevação lateral da casa conta com um grande painel de blocos de vidro sobre uma porta de correr que atua como acesso secundário da edificação.
A elevação lateral da casa conta com um grande painel de blocos de vidro sobre uma porta de correr que atua como acesso secundário da edificação.

Esta seção do projeto salienta a sala de jantar com pé-direito duplo, com visão por um mezanino que funciona como sala de televisão, próxima aos dormitórios do pavimento superior.
Esta seção do projeto salienta a sala de jantar com pé-direito duplo, com visão por um mezanino que funciona como sala de televisão, próxima aos dormitórios do pavimento superior.

Em cada projeto temos a obrigação de entregar o melhor serviço possível. Obviamente dependemos de uma série de outros profissionais para que uma ideia seja concretizada. Mas certos trabalhos possuem um sabor diferente. Especialmente quando vamos visitar os contratantes morando na casa nova e somos tratados com muito carinho, como se fôssemos da familia.

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Residência Biancarosata no Campos do Conde em Paulínia - 2009

A composição do telhado desta casa se dá pela somatória de jogos de duas águas, ora perpendiculares, ora paralelos.

A exemplo de outros projetos deste arquiteto, a entrada social, na rua frontal, é dissociada da entrada de serviços, na rua lateral do lote.

O conceito de beleza varia de pessoa para pessoa. Mesmo assim, algumas obras são vistas pelo senso comum como mais bonitas do que outras, e não existe uma ciência exata para isso, apenas alguns parâmetros. Por vezes, arquitetos tentam encontrar a beleza nas formas inusitadas e na escolha de materiais diferentes. Mas isto não impede que se chegue ao mesmo objetivo adotando soluções cujas características são plenamente conhecidas.

Outra ilusão, alimentada em parte pela mídia propagadora do consumo pelo consumo, e em parte pela associação imediatista de qualidade à quantidade, se refere ao tamanho de uma construção. Então, casas que impressionam mais seriam as casas maiores. Obviamente isto não tem sustentação na prática. É lógico que uma mansão chama muita atenção, mas até uma choupana, quando bem feita, pode fazer brilhar os olhos de quem folheia uma revista ou visita um site.

A cozinha se comunica com a sala de jantar e esta com as áreas externas. Ambiente é dividido apenas por um balcão com duas alturas, cuja diferença foi preenchida com pastilhas cerâmicas.

Nos sanitários, as bancadas são adornadas com o mesmo tipo de pastilhas vistas na cozinha, conferindo unidade visual coerente em ambos os pavimentos.

A escada ganha expressão arquitetônica ao se posicionar entre a sala de estar em jantar, banhadas com iluminação natural num ambiente com pé-direito duplo.

Do alto da escada, na galeria de acesso aos dormitórios, é possível observar as salas do pavimento térreo, coma devida proteção de guarda-corpos de alumínio adornados com panos de vidro.

Esta residência, concluída em 2010, possui cerca de 182 metros quadrados distribuídos em dois pavimentos. Com seu telhado aparente e cores claras, ela possui atributos muito comuns à várias casas de seu porte. Mas, de certa forma, a superposição destes elementos resultou num certo charme revelado pelos comentários espontâneos que este arquiteto - com grande satisfação - ouviu de alguns moradores das redondezas.

É por isso que nem todo trabalho é remunerado apenas com valores monetários.

Janelas seteiras basculantes e blocos de vidro alinhados verticalmente cumprem a função de iluminar os ambientes internos sem tirar a privacidade necessária dos mesmos.

O abrigo dos automóveis se converte em área de lazer nos fins de semana. O volume saliente para encerrar a caixa de água não foi coberto com telhado embutido, como se vê com certa freqüência em outras casas.

Dica do arquiteto: um bom programa residencial é aquele que fica adequado ao loteamento em que está destinado. Construir um palacete numa região pouco valorizada pode representar um investimento sem retorno. Do mesmo modo, não se deve desperdiçar um terreno amplo e caro com a construção de um caixote sem personalidade. Encontrar o "nicho de mercado" é o segredo.

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Residência Vilasboas no Campos do Conde em Paulínia - 2008

Linhas modernas exploram formas geométricas de fácil compreensão, cuja ortogonalidade é suavizada pela projeção das lajes levemente sinuosas.

Na perspectiva, desenhada na fase do projeto, o uso de sombras e traços reforçados salienta o partido arquitetônico.

O uso de madeira para estrutura de telhado na Europa é um item de luxo há várias décadas. No Brasil, somente agora, com o encarecimento deste produto devido ao crescente rigor da legislação e fiscalização da extração do recurso natural, estamos atentando para alternativas mais econômicas para esta importante etapa da construção. Com isso, os já conhecidos "telhados embutidos" começam a ganhar maior projeção entre a preferência dos construtores.

No telhado embutido, as telhas de metal (ou fibrocimento) substituem as tradicionais telhas cerâmicas (ou de concreto) sendo escondidas atrás de platibandas, que são uma espécie de mureta que contorna a laje forro. O uso de madeira na estrutura é sensivelmente diminuído, ou mesmo substituído pela estrutura metálica. Um dos pontos negativos pode ser o resultado monótono do projeto, que pode ficar com a aparência de "caixote" como cercas casas são conhecidas popularmente.

No detalhe da fachada, a sobreposição da lajes em balanço estrutural, criando um jogo de curvas harmônicas.

O desafio, portanto, quando se tem em voga um projeto com telhado embutido, é dotar a sua volumetria de variações que encontrem justificativa na lógica do programa arquitetônico. Pode ser a infalível torre da caixa de água, ou quem sabe a projeção de marquises - lajes em balanço que formam beiras - ou ainda a diferenciação de altura de setores da platibanda, baseada em recortes da planta baixa. Quem sabe, a somatória destes elementos. O fato é que a monotonia não combina com a boa arquitetura, uma vez que esta arte, assim como a música, traduz movimentos através das relações matemáticas.

O terraço, acessado pela suíte do casal, oferece visão para a mata do loteamento, repleta de árvores nativas.
O terraço, acessado pela suíte do casal, oferece visão para a mata do loteamento, repleta de árvores nativas.

Na residência dos Vilasboas, o telhado possui estrutura e telhas metálicas, cuja pouca inclinação requerida propiciou a elevação das peças em relação à superfície da laje forro (que cobre o pavimento superior) formando um colchão de ar que ajuda a manter a temperatura no interior do imóvel naturalmente agradável.

Quando se usa este tipo de material, altamente suscetível ao ganho de calor devido aos raios solares, recomenda-se pintar a face exposta da telha em branco, o que irá refletir a maior parte destes raios, levando para longe, também, o excesso de calor. Algumas telhas já vem com pintura eletroestática e outras ainda apresentam a configuração em "sanduíche", com um material isolante térmico no miolo.

Na porta social temos um batente que engloba a parede em diagonal, por onde foi instalada a vigia.
Na porta social temos um batente que engloba a parede em diagonal, por onde foi instalada a vigia.

Mas esta obra não se resume à solução adotada na cobertura. Ela possui características que a colocam na galeria das casas que povoam os sonhos de muitas famílias, dentre as quais podemos destacar a boa localização, com vista para uma extensa área verde; a integração dos espaços internos, como a salas de estar e jantar à cozinha; ambiente com pé-direito duplo, por onde quem está na circulação para os dormitórios no pavimento superior pode avistar boa parte do pavimento térreo; além de uma suíte master completa, que inclui closet e banheira de hidromassagem.

A sala de jantar se comunica com a varanda no quintal, com vista para a área de lazer.

A piscina de recreação possui jato de massagem e recebe uma lâmina de água junto à meia lua.
A piscina de recreação possui jato de massagem e recebe uma lâmina de água junto à meia lua.

Esta casa não estaria completa sem mencionar a piscina localizada no quintal, que pode ser vista por quem está no interior do corpo principal da construção, ao lado da edícula, que conta com uma churrasqueira e pia externa, além de um sanitário e também um depósito.

A edícula recebeu tratamento arquitetônico compatível com o conjunto da obra.

Dica do arquiteto: telhas de materiais diferentes pedem inclinações mínimas diferentes. Solicite junto ao fornecedor deste item, a informação técnica necessária para a correta execução da cobertura. 

Residencia Colturato Festi no Campos do Conde em Paulínia - 2008

Fachada residencialRaios de sol iluminam a cumeeira do telhado, cujo pano superior sombreia as demais superfícies da fachada voltada para o leste. O volume na cor verde contém blocos de vidro que iluminam um escritório.

Morar e trabalhar no mesmo local era muito comum no tempo das corporações de ofício. Veio a revolução industrial e com isso os deslocamentos entre moradias e empregos, que impulsionaram o modo de vida baseado no automóvel e demais meios de transporte.

No entanto, com o advento da informática e da popularização da Internet, que trouxe facilidades na comunicação entre pessoas, cada vez mais profissionais consideram a opção de trabalhar em casa novamente, um conceito que no século XX estava pouco difundido.

É o caso do Engenheiro Agrimensor Vandereli Festi. Ele profere aulas em universidades e palestras para demais técnicos de sua área, mas boa parte de sua produção de memoriais e projetos é feita em seu escritório doméstico. Este fator obviamente entrou na pauta da conversa com este arquiteto, no momento de encomendar o projeto da residência em questão.

Como eventualmente tal escritório seria usado para receber visitas de âmbito do ofício, foi solicitado que este cômodo ficasse próximo ao acesso principal da residência. Já os ambientes de jantar e de estar da família ficariam voltados para a área livre nos fundos, junto da cozinha e de um estúdio, desta feita com função artística.

Seção transversalNesta seção transversal vemos que o abrigo no canto esquerdo não possui laje, assim como no pavimento superior da porção central da obra, onde empenas elevam a cobertura e propiciam o uso pleno do que seria o sótão de uma casa térrea.

Galeria Sueli Colturato

Embora seja esposa de Vanderlei Festi, a artista plástica Sueli Colturato adota o sobrenome herdado do pai, por orientação de um antigo mestre, que pregava que o nome de batismo carrega também um universo cultural, revelando um pouco da origem de cada um.

Obviamente sua residência conta com vários quadros, em seus diversos ambientes. Os temas também são variados e vão dos motivos florais até o retrato da alma feminina, passando pelos objetos que evocam lembranças do campo.

FloresBotões que se abrem e salientam o ciclo ininterrupto da vida.

Curvas suavesLuzes e sombras revelam a sensualidade e ternura feminina.

VasosO uso de tom sobre tom para acentuar a percepção das formas.

Sueli Colturato aceita encomendas para quadros que indubitavelmente alegram a decoração de obras residenciais e comerciais. Do mesmo modo, Vanderlei Festi coloca seu trabalho à disposição dos investidores e demais profissionais que atuam em urbanismo. Para tanto fica a recomendação de visita ao site www.VanderleiFesti.com

Residência de Rogéria Neto no Campos do Conde em Paulínia - 2008

Três acessos com uma só função: receber bem. O da esquerda encaminha o visitante diretamente para o quintal, com churrasqueira e uma varanda para espreguiçar. Ao lado do abrigo de automóveis temos a entrada da sala de estar. Já no canto direito, uma porta direto para a copa, conjugada com a cozinha, onde se encontra o coração desta casa.

Após morar longos anos num apartamento de cidade grande, Rogéria Neto decidiu mudar de ares e experimentar a sensação de pisar sobre um gramado que estivesse a poucos passos de distância. A escolha se deu por um loteamento fechado em Paulínia, o que não impediria de estar próxima aos serviços oferecidos por uma metrópole, como é o caso de Campinas.

Durante as primeiras conversas com este arquiteto, a futura moradora do Campos do Conde solicitou um projeto que priorizasse a iluminação natural, a economia de recursos e que principalmente sua casa fosse aconchegante, tanto para ela como para seus familiares e amigos, que certamente a iriam visitar com freqüência.

Na seção transversal deste projeto ganha destaque o sótão localizado na parte central da construção, onde o telhado fica mais alto, com direito à ventilação cruzada e iluminação natural. Este ambiente se comunica com o pavimento térreo mediante uma escada desdobrável, localizada no hall dos dormitórios. Trata-se de um espaço para introspecção, algo necessário para a realização dos trabalhos manuais da proprietária.

Enquanto o vizinho não constrói no loteamento fechado (onde as casas não possuem cercas ou muros na fachada) é possível observar o jogo de águas da cobertura da obra, que inclui um pequeno alpendre lateral, para proteger a fonte de luz do miolo da residência. Ao lado esquerdo se vê outra construção, projetada por este mesmo arquiteto.

Poucos meses depois a construção estava pronta. Começava agora uma nova etapa de vida, que a própria Rogéria iria relatar em mensagem reproduzida a seguir:

"Meus queridos,

É com imensa alegria, responsabilidade e compromisso, que estou lançando oficialmente meu PLANO B.

Após um ano me preparando profissionalmente para atuar nesta área aí está... Este é apenas o começo da execução do meu PLANO B, literalmente. Acessem a cada dia que possível, pois SEMPRE haverá novidades.

Façam suas encomendas, conheçam meu trabalho bem de perto e não apenas virtualmente. Aproveito pra solicitar que caso saibam de alguma feira de artesanato, ou feiras que dêem espaço para trabalhos artesanais , que me indiquem, dêem dicas.

Um beijo saudoso a todos!"



Rogéria Neto mantém um blog na internet para divulgar seu trabalho: bolsasnegamaluca.blogspot.com



Residência Modelo I no Campos do Conde em Paulínia - 2003


O condomínio residencial Campos do Conde trouxe para Paulínia uma nova mentalidade sobre os empreendimentos imobiliários, com soluções diferenciadas em seu urbanismo e um forte trabalho promocional, envolvendo alguns dos principais engenheiros e arquitetos do município. Eles foram convidados pelos representantes da incorporadora para elaborar projetos sugestivos, que seriam expostos no estande de vendas, assim como em “folders” e folhetos publicitários.

Além de deixar implícito o padrão construtivo desejado, esses projetos servem para facilitar o contato dos eventuais compradores dos lotes com os profissionais da cidade, pois geralmente se tratam de investidores de outras regiões do estado, principalmente da Grande São Paulo, que buscam no interior novos ares para suas famílias. Quem aceitou o convite para fazer esse tipo de projeto teve que trabalhar muito - e rápido - pois o prazo de entrega era para “ontem”.


Para coibir distorções na forma de apresentação dos trabalhos, foi contratado o artista gráfico Jeremias Ortiz, atualmente radicado em São Paulo e muito requisitado para este tipo de trabalho. Leia a seguir o texto enviado ao editor do “folder” promocional do condomínio, para acompanhar a perspectiva do projeto:

“Construir uma residência é, sem dúvida, um dos melhores investimentos que alguém pode fazer. Os pragmáticos, que pensam apenas no retorno financeiro, sabem muito bem disso. Mas os idealistas vão além: vislumbram numa casa - além da garantia material - a possibilidade de viver parte de seus melhores anos de vida.

Para este segundo grupo de pessoas, ofereço um projeto equilibrado, valorizando a plasticidade das formas - que materiais simples podem compor e que a mão-de-obra local pode executar. Enfim, o sonho realizável.

Como beleza não é tudo, a praticidade também é prioridade: o abrigo com duas vagas dá acesso direto à cozinha e lavanderia - não é necessário passar com as compras pela sala de estar. A entrada social é reservada para enaltecer os amigos - os mesmos que devemos preservar a todo custo.

Conforto é essencial, não em termos de luxo, mas nos aspectos térmicos e luminosos, que evitam o uso de ar condicionado e lâmpadas acesas durante o dia. Para tanto, esquadrias generosas, protegidas do excesso de sol por sacadas e amplos beirais, que apontam para o infinito - para nos lembrar que o mundo não se resume ao lugar onde vivemos.

Construir uma residência não é necessariamente construir um lar, como alguns podem pensar, mas é um passo fundamental para que isso aconteça. Portanto, não estou tratando apenas de um projeto de arquitetura, mas também de um projeto de vida, e a vida é o nosso maior bem.

Jean Tosetto – Arquiteto”

O mesmo editor solicitou uma “pequena” síntese da matéria, para adequá-la ao espaço reservado para cada um na publicação. Abaixo o resultado, bem enxuto, que foi publicado:

“Este é um projeto equilibrado, que valoriza a plasticidade das formas, perfeitamente executáveis pela mão-de-obra local. A praticidade não deixa de ser prioridade e os acessos se dividem por setores: um de serviço - diretamente pela garagem, e um social - para enaltecer os amigos. Os ambientes são favorecidos por generosas esquadrias - protegidas por sacadas
e amplos beirais - propiciando ventilação constante e luz natural durante o dia.”